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Rinologia para a Prova de Título

Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026

Rinologia é a segunda maior área da Prova de Título — praticamente empatada com Otologia. No banco da ORL Lab são 398 questões, e juntas as duas respondem por quase um terço de tudo que cai.

É também a área onde mais se perde ponto por detalhe: classificação, guideline e anatomia endoscópica. Este guia mostra a distribuição real dos temas, as armadilhas que se repetem e dez questões comentadas para testar agora, sem cadastro.

Peso de cada área no banco

Rinologia representa 15,6% do bancoDISTRIBUIÇÃO DAS 2.544 QUESTÕES POR ÁREA16%16%13%12%11%7%7%7%Rinologia é a 2ª maior área: 398 questões, 15,6% do banco.Com Otologia, as duas somam quase um terço de tudo que cai.

O que mais cai em Rinologia

Levantamos a distribuição temática das 398 questões de Rinologia do nosso banco. Não é a distribuição oficial da prova — é a do nosso material, construído a partir dela:

Temas mais frequentes em Rinologia

Temas mais frequentes em RinologiaFístula liquórica49Desvio de septo45Rinossinusite crônica40Rinossinusite fúngica37Complicações orbitárias36Polipose nasal34Olfato34Epistaxe32Rinite alérgica27Anatomia endoscópica27
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.

O topo dessa lista costuma surpreender. Fístula liquórica aparece mais que epistaxe, e é justamente o tipo de assunto que o residente vê pouco no ambulatório e muito na prova. O mesmo vale para complicações orbitárias — raras na prática, obrigatórias na avaliação.

A classificação que a prova adora cobrar

Boa parte das questões de rinossinusite não pergunta sobre tratamento: pergunta se você sabe classificar. Duração separa aguda de crônica; presença de pólipo separa os dois fenótipos da crônica. Errar aqui invalida todo o resto do raciocínio.

Como classificar a rinossinusite

Como classificar a rinossinusiteRinossinusiteDURAÇÃOAgudamenos de 12 semanasCrônica12 semanas ou maisViralaté 10 diasBacterianapiora após melhoraSem pólipopadrão variávelCom pólipoeosinofílico (Th2)Pegadinha clássicaA dupla piora — melhora e depois piora — aponta bacteriana, não viral prolongada.

Três armadilhas recorrentes

Achar que polipose com asma e intolerância a AINE é alergia. Não é IgE. O anti-inflamatório inibe a ciclo-oxigenase, o ácido araquidônico é desviado para a lipo-oxigenase e sobem os leucotrienos. É a tríade de Samter, e a resposta quase nunca envolve IgE nem ácaro.

Tratar fístula liquórica espontânea como problema local. Mulher obesa, quarta década, rinorreia unilateral clara: antes de pensar no defeito ósseo, investigue hipertensão intracraniana idiopática. Sem tratar a causa, a correção cirúrgica recidiva.

Confundir antibiótico com evidência. Nos guidelines atuais para rinossinusite crônica com pólipos, a lavagem nasal com alto volume tem mais evidência de benefício que antibiótico oral — que a prova adora oferecer em duas ou três alternativas.

Se o enunciado juntar pólipo + asma + AINE, a resposta é leucotrieno.
Se juntar mulher obesa + rinorreia clara unilateral, investigue pressão intracraniana.

Como estudar esta área

Rinologia recompensa quem estuda por classificação, não por doença. Fixar as árvores de decisão — duração, fenótipo, gravidade, estadiamento — resolve mais questões que decorar esquemas terapêuticos, porque a prova testa o raciocínio de enquadrar o caso.

E vale conferir o que você acha que já sabe. A distribuição acima mostra que os temas mais cobrados nem sempre são os mais vistos no ambulatório: quem estuda pelo que atende tende a chegar forte em rinite e desvio de septo, e fraco em fístula liquórica e complicação orbitária.

Dez questões comentadas de Rinologia

Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.

01 A artéria de maior importância na epistaxe posterior grave é a:

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Resposta: B

A epistaxe posterior origina-se predominantemente do território da artéria esfenopalatina, ramo terminal da maxilar interna; sangramentos refratários podem ser controlados por cauterização/ligadura endoscópica desse vaso.

02 Paciente de 43 anos, sexo feminino, obesa e com diagnóstico de fístula liquórica nasal espontânea. Qual comorbidade deve ser investigada?

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Resposta: B

As fístulas liquóricas nasais espontâneas frequentemente estão relacionadas com o quadro de hipertensão intracraniana idiopática. Esta, por sua vez, é mais frequente em pacientes obesos, de meia-idade e do sexo feminino, como no caso apresentado.

03 Os fungos mais frequentes na rinossinusite fúngica invasiva são:

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Resposta: A

Os patógenos mais comuns na rinossinusite fúngica invasiva aguda são os Zygomycetos (Rhizopus, Mucor, Rhizomucor), e os Aspergillus e Fusarium. Anselmo-Lima WT.

04 Na rinossinusite crônica com pólipos, o padrão inflamatório predominante em nosso meio costuma ser:

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Resposta: B

A rinossinusite crônica com polipose é frequentemente associada a inflamação tipo 2 (eosinofílica), o que fundamenta o uso de corticosteroides e, em casos refratários, de imunobiológicos anti-IL-5/IL-4/IL-13.

05 Segundo os guidelines EPOS 2020 e ICARRS 2021, qual tratamento abaixo tem maior evidência de benefício no tratamento da rinossinusite crônica com polipose?

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Resposta: D

O uso de antibiótico não é recomendado nos casos de rinossinusite crônica com polipose, apesar de ser uma das opções de tratamento. O uso de corticosteroide tanto oral (ciclo curto) quanto tópico em spray ou alto volume e baixa pressão continuam sendo o tratamento mais preconizado.

06 Na síndrome da fissura orbitária superior quais são os nervos acometidos?

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Resposta: C

A síndrome da fissura orbitária superior é resultante da compressão ou processo infeccioso ocasionando alteração das estruturas que passam nessa região (fissura orbitária superior) e paralisia dos nervos cranianos III, IV, V1 e VI. Esta síndrome manifesta-se por amaurose, oftalmoplegia, dor ocular intensa e distúrbios sensitivos no território do nervo oftálmico (V1), que pode variar de anestesia à nevralgia. Ao exame físico o paciente pode apresentar olho congelado (imobilidade), pupilas dilatadas e não reagentes à luz, ptose, hipoestesia palpebral, córnea e conjuntiva. O diagnóstico diferencial é com a síndrome do ápice orbitário, sendo a principal diferença a inclusão das estruturas que passam no forame óptico, já que o ápice orbitário inclui a fissura orbitária superior e o forame óptico. Badakere A, Patil-Chhablani P. Orbital apex syndrome: a review. Eye Brain 2019 Dec 12;11:63-72.

07 Sobre a anatomia cirúrgica do seio etmoidal é correto afirmar em relação às lamelas basais:

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Resposta: C

A primeira lamela é o uncinado, a segunda é a bula etmoidal, a terceira é a inserção do corneto médio na órbita, a quarta é o corneto superior e a quinta o supremo.

08 Paciente tem duas cirurgias prévias de papiloma invertido e apresenta nova TC com recidiva de lesão. Qual das alternativas abaixo corresponde à conduta mais apropriada?

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Resposta: A

O tumor pode malignizar, especialmente após múltiplas cirurgias. A cirurgia deve ser mais agressiva que as primeiras, removendo toda a mucosa adjacente.

09 Estima-se que mais de 50% dos pacientes com atresia de coana apresentem malformações associadas, incluindo a síndrome CHARGE. Fazem parte dessa síndrome:

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Resposta: A

A síndrome CHARGE de malformações associadas à atresia de coana (Coloboma, Heart defects, Atretic choana, Retardation of growth and development, Genitourinary disorders, Ear abnormalities) foi descrita por Pagon em 1981, referindo-se a uma série de malformações associadas à atresia de coana. Flint P, Haughey B, Lund V, Robbins K, Thomas R, Lesperance M, Francis W. Cummings. Otolaryngology Head and Neck Surgery. 7th ed. Elsevier; 2021.

10 Em relação ao uso de anti-histamínicos de primeira geração no tratamento da rinite alérgica, é correto afirmar que:

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Resposta: D

Os anti-histamínicos de primeira geração devem ser evitados no tratamento da rinite alérgica, pois estão associados à sedação, diminuição da atenção, cognição, aprendizagem, memória e desempenho psicomotor. Outros possíveis efeitos adversos são secura de mucosas, retenção urinária, taquicardia sinusal, midríase, constipação intestinal, ganho de peso, tonturas e hipotensão. Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI)/Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). III Consenso Brasileiro sobre Rinites. São Paulo, 2012. BJORL. Disponível em: http://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_RiniteSP-2014-08.pdf. Acessado em: 15 de setembro de 2021.

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Veja também: Guia completo da prova · Cabeça e Pescoço · Otologia · Laringologia · Pediatria · Otoneurologia

Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.