Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Laringologia é a quarta maior área da Prova de Título: 298 questões no banco da ORL Lab, 11,7% do total. É a área em que um único esquema anatômico — as cinco camadas da prega vocal — destrava questões de várias frentes.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Laringologia
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
As cinco camadas da prega vocal
Modelo de cobertura-corpo. Saber em qual camada cada lesão se instala resolve
boa parte das questões de laringologia — de pólipo a papiloma.
O tema mais cobrado não é doença: é exame. Videolaringoscopia e estroboscopia lideram,
à frente de paralisia de prega e de nódulo. A prova quer saber se você escolhe o exame certo
e conhece as limitações de cada um.
Três armadilhas recorrentes
Achar que a lesão do recorrente paralisa tudo. O cricotireóideo é inervado pelo ramo
externo do laríngeo superior, não pelo recorrente. Numa lesão isolada do recorrente, ele é o
único músculo intrínseco que mantém a função motora.
Confundir os sintomas do refluxo laringofaríngeo com os do refluxo clássico. No
laringofaríngeo predominam disfonia e pigarro. Azia e pirose são do refluxo gastroesofágico —
e a prova oferece essas alternativas justamente para separar quem sabe a diferença.
Tratar estenose como se fosse sempre traqueal. Na estenose laringotraqueal a região
mais acometida é a infraglótica, e não a traqueia. É o ponto mais estreito da via aérea
pediátrica e o local de maior dano por intubação.
Como estudar esta área
Laringologia recompensa quem domina a histologia da prega vocal. As cinco camadas explicam
onde cada lesão se forma, por que o pólipo se comporta diferente do nódulo, até onde a cirurgia
do papiloma deve chegar e o que a estroboscopia consegue ou não avaliar.
É um caso raro em que decorar um esquema anatômico resolve questões de várias frentes ao
mesmo tempo.
Dez questões comentadas de Laringologia
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 Em uma cirurgia cervical, se lesionarmos o nervo laríngeo recorrente, qual o músculo intrínseco da laringe terá sua função motora preservada?
A) Tireoaritenóideo.
B) Cricotireóideo.
C) Interaritenóideo.
D) Cricoaritenóideo posterior.
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Resposta: B
Toda a inervação motora dos diferentes músculos intrínsecos da laringe é fornecida pelo nervo laríngeo recorrente ou inferior, com exceção do músculo cricotireóideo, cuja inervação é feita pelo nervo laríngeo superior, nervo misto que também é responsável pela sensibilidade da mucosa laríngea. D’Avila JS.
02 Entre os sintomas mais aceitos como sendo do RFL (refluxo faringolaríngeo) encontramos na anamnese:
A) Azia e regurgitação.
B) Pirose e plenitude pós-prandiais.
C) Dispepsia e regurgitação.
D) Disfonia e pigarro.
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Resposta: D
Os sintomas apresentados nas alternativas a, b, c são predominantes na DRGE (doença do refluxo gastresofágico).
03 Considerando a camada histológica acometida pelo vírus HPV na prega vocal com papiloma, qual tecido mais profundo o tratamento cirúrgico deve envolver nessa região dentre os seguintes?
A) Camada muscular.
B) Ligamento vocal.
C) Camada superficial da lâmina própria.
D) Camada basal do epitélio.
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Resposta: D
O HPV infecta as células em divisão do epitélio, preferencialmente nos locais de justaposição do epitélio ciliar e escamoso (junção escamocelular). Na camada basal do epitélio, o HPV se mantém na forma estável e em múltiplas cópias, conseguindo assim uma infecção persistente. Sua replicação acontece nas camadas mais superficiais, que estão em diferenciação celular. O DNA viral estimula a proliferação celular, formando o papiloma. Assim, considerando que o vírus acomete o epitélio não é necessário envolvimento cirúrgico em camadas mais profundas, devendo-se poupar lâmina própria, ligamento vocal e músculo. Schweiger C.
04 Na estenose laringotraqueal, qual a região mais acometida?
A) Região supraglótica.
B) Região glótica.
C) Região infraglótica.
D) Região traqueal.
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Resposta: C
É sabido que estatisticamente a região mais acometida na estenose laringotraqueal é a infraglótica, onde se localiza a cricoide. Manrique D. Estenoses laringotraqueais.
05 De acordo com a Teoria da Proporção Glótica, o que acontecerá com os meninos que possuem nódulos vocais após a puberdade?
A) Mantêm-se iguais.
B) Eles crescem.
C) Eles fibrosam.
D) Eles involuem.
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Resposta: D
Os nódulos vocais ocorrem com maior incidência no sexo feminino e em crianças de ambos os sexos, principalmente, na faixa etária de 7 a 9 anos. Atribui-se como fator etiopatogênico a proporção glótica menor nas crianças e mulheres. A proporção glótica é a razão entre a porção membranosa da prega vocal (fonotória) sobre a porção cartilaginosa (respiratória). Na mulher é de 1:1, semelhante à criança, com maior impacto da vibração na transição do terço anterior e médio das pregas vocais.
06 O tratamento inicial mais apropriado para uma lesão localizada no terço médio da prega vocal direita, em que o anatomopatológico revelou para o carcinoma in situ é:
A) Radioterapia.
B) Quimioterapia.
C) Cordectomia.
D) Laringectomia fronto lateral.
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Resposta: C
Carcinoma in situ pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia. A literatura brasileira pouco comenta sobre radioterapia para carcinoma in situ. Autores americanos relatam o uso de radioterapia para carcinoma in situ com controle da doença em 93,5% dos casos. Recomenda-se a radioterapia em casos com múltiplas lesões em que o limite é impreciso e em pacientes em que já se sabe que o acompanhamento será difícil e em pacientes com múltiplas recorrências após diversas cirurgias. Para pacientes com lesões com limites bem definidos, e que podem realizar um acompanhamento médico, a cordectomia é o tratamento mais indicado.
07 A disfonia espasmódica de adução é tratada de forma mais eficaz com:
A) Fonoterapia isolada
B) Injeção de toxina botulínica no músculo tireoaritenóideo
C) Cordectomia
D) Antirrefluxo
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Resposta: B
A disfonia espasmódica de adução, distonia focal laríngea, tem na aplicação de toxina botulínica no complexo tireoaritenóideo o tratamento de maior eficácia, com melhora temporária e necessidade de reaplicações.
08 Dentre as características abaixo, qual das alternativas apresenta uma limitação diagnóstica ao método de estroboscopia laríngea?
A) Rigidez de mucosa.
B) Aperidiocidade de vibração.
C) Assimetria de fase de vibração.
D) Fenda glótica à fonação.
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Resposta: B
Em vibrações aperiódicas, não é possível a sincronização da luz estroboscópica impedindo a avaliação dos parâmetros da vibração cordal.
09 Paciente cantor que nega disfonia ao repouso, mas com queixa de dor cervical e quebras vocais durante a passagem de registro ao cantar. Qual exame trará o maior número de informações para esse caso?
A) Laringoscopia por espelho.
B) Endoscopia rígida ou telelaringoscopia.
C) Endoscopia flexível.
D) Laringoscopia direta.
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Resposta: C
Como o endoscópio flexível é introduzido pela narina, o trato vocal fica livre e o paciente pode falar e cantar durante o exame, fornecendo maior número de informações a serem avaliadas nesse caso. Já com a endoscopia rígida e com a laringoscopia com espelho, a língua fica protruída e mantida fora da cavidade oral, o que dificulta a fonação e o canto. A laringoscopia direta é realizada com paciente sob anestesia geral, o que impossibilita uma avaliação funcional da laringe.
10 Embora não exista um consenso entre os autores, os principais sintomas laríngeos apresentados pelos pacientes com laringite por refluxo esofagiano são:
A) Pigarro, bolo faríngeo e rouquidão.
B) Febre e perda de peso e pigarro.
C) Febre, dor cervical e bolo faríngeo.
D) Dispneia, síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) e rouquidão.
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Resposta: A
Os mecanismos etiológicos envolvidos nos sintomas atípicos da doença do refluxo seriam: irritação química local sobre a mucosa faringolaríngea e o estímulo vagal a partir da irritação esofagiana, fatos estes que explicariam a gênese destes sintomas.
Descubra onde você perde ponto
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.