Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Otoneurologia é a sexta maior área da Prova de Título: 189 questões no banco da ORL Lab, 7,4% do total. É a área em que a prova cobra semiologia — ler o exame — mais que decorar doenças.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Otoneurologia
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
Nistagmo: periférico ou central
A leitura do nistagmo é o tema mais cobrado da área. Este quadro resolve a
pergunta que a prova faz de várias formas diferentes.
O tema número um não é doença: é nistagmo, com 58 questões — mais que VPPB.
Somado aos testes vestibulares, o bloco de semiologia e exame ultrapassa em muito o bloco
de diagnósticos. A prova quer saber se você lê o exame, não se decorou a doença.
Três armadilhas recorrentes
Achar que Ménière se define pela audiometria. O critério que estrutura o diagnóstico
de doença definida é a duração das crises de vertigem — de 20 minutos a 12 horas na definição
clássica, com variações entre critérios. Eletrococleografia e prova calórica apoiam, não definem.
Pedir exame para confirmar migrânea vestibular. O diagnóstico é clínico, por anamnese
e exame físico. Ressonância e vHIT servem para excluir outras causas, não para confirmar essa.
Tratar nistagmo vertical puro como periférico. Vertical puro, mudança de direção com
o olhar e ausência de inibição pela fixação apontam origem central — e mudam completamente a
urgência da conduta.
Como estudar esta área
Otoneurologia é a área em que decorar doenças rende menos. O que resolve questão é dominar a
semiologia: o que cada manobra provoca, o que cada teste mede e como diferenciar periférico de
central pelo padrão do nistagmo.
Comece pelas manobras e pelos testes. As doenças se encaixam depois, quase por dedução.
Dez questões comentadas de Otoneurologia
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 O paciente com VPPB do canal posterior esquerdo apresenta o seguinte nistagmo no teste de Dix-Hallpike para a esquerda:
A) Componente vertical para cima e torsional geotrópico.
B) Componente vertical para cima e torsional apogeotrópico.
C) Componente vertical para baixo e torsional geotrópico.
D) Componente vertical para baixo e torsional apogeotrópico.
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Resposta: A
O paciente com VPPB do canal posterior apresenta otólitos localizados próximos à ampola do canal posterior. Durante o teste de Dix-Hallpike para o lado afetado, os otólitos se afastam da ampola e geram fluxo endolinfático ampulífugo excitatório que estimula esse canal. Quando o canal posterior esquerdo é estimulado, há a ativação do músculo oblíquo superior ipsilateral (esquerdo) e do músculo reto inferior contralateral (direito). A ação primária (fase lenta) desses músculos é, respectivamente, inciclotorção e depressão dos olhos. Dessa forma, a fase rápida do nistagmo provocado é composta por componente vertical para cima e torsional geotrópico.
02 A síndrome de Lindsay-Hemenway ocorre em pacientes com neurite vestibular que apresentam VPPB de canal posterior ipsilateral. A respeito dessa síndrome pode-se afirmar que:
A) A VPPB é decorrente das medicações utilizadas para o tratamento da neurite.
B) A denervação do sáculo explica o desprendimento das otoconias que causam a VPPB.
C) Ocorre apenas em casos de neurite do ramo superior do nervo vestibular.
D) É decorrente da alteração de densidade da endolinfa.
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Resposta: C
A síndrome de Lindsay-Hemenway ocorre em pacientes com VPPB de canal posterior com história recente de lesão labiríntica isquêmica, decorrente, na maioria das vezes, de neurite vestibular. Dano seletivo às estruturas irrigadas pela artéria vestibular anterior (utrículo, canais semicirculares anterior e lateral) facilita o desprendimento das otocônias da mácula utricular. Estas podem-se deslocar para o canal posterior ipsilateral, inervado pelo ramo inferior do nervo vestibular, cuja função está intacta nos casos de neurite do ramo superior do nervo vestibular e causar a VPPB.
03 Para o diagnóstico de doença de Ménière definida, é fundamental:
A) Eletrococleografia com aumento do potencial SP/AP.
B) Audiometria com perda neurossensorial em alta ou média frequência.
C) Episódios de vertigem durando de 5 minutos a 72 horas.
D) Prova calórica com hipofunção do labirinto afetado.
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Resposta: B
De acordo com o CCBS – Classification Committee of the Bárány Society, os critérios diagnósticos para a síndrome de Ménière definida são: Dois ou mais episódios de vertigem espontânea, com duração de 20 minutos a 12 horas. Audiometria comprovando perda auditiva sensorioneural em frequências graves e médias, em pelo menos uma orelha, ocorrida antes, durante ou após um episódio de vertigem. Sintomas auditivos flutuantes (zumbido, plenitude) na orelha afetada. Nenhum outro diagnóstico mais provável. Lopez-Escamez JÁ, et al. Diagnostic criteria for Ménière’s disease. J Vestib Res. 2015;25:1-7. Tratado de otorrinolaringologia - ABORL-CCF. 3. ed. p. 264-5.
04 Este video head impulse test foi realizado em vigência de uma crise vertiginosa aguda. O provável diagnóstico é (responda a correta):
A) Neurite vestibular superior esquerda.
B) Vertigem postural paroxística benigna (canal semicircular lateral esquerdo).
C) Neurite vestibular inferior esquerda.
D) Migrânea vestibular.
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Resposta: A
Baixo ganho com sacadas em canais semicirculares lateral e anterior esquerdos, inervados pelo nervo vestibular superior.
05 Pacientes com lesão acometendo flóculos e paraflóculos cerebelar podem manifestar a seguinte alteração patológica:
A) Nistagmo posicional central.
B) Sacadas hipométricas.
C) Nistagmo periódico alternante.
D) Nistagmo rebote.
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Resposta: D
Diferentes regiões do cerebelo estão associadas a alterações oculomotoras específicas. Flóculos e paraflóculos nistagmo vertical para baixo, nistagmo rebote, gaze evoked nystagmus (nistagmo evocado pela mirada, nistagmo nas posições excêntricas), alteração do acompanhamento e da supressão do reflexo vestíbulo-ocular. Nódulo e úvula ventral nistagmo periódico alternante, nistagmo posicional central e nistagmo pós-head-shaking patológico. Verme dorsal sacadas hipométricas. Núcleo fastigio sacadas hipermétricas. → → → →.
06 Como confirmamos um diagnóstico de enxaqueca ou migrânea vestibular?
A) Através de anamnese e exame físico, associados à audiometria, vHIT e VEMP alterados.
B) Através de anamnese e exame físico, associados a EEG alterado (eletroencefalograma).
C) Apenas com anamnese e exame físico.
D) Através de anamnese e exame físico associados à RM encefálica (ressonância magnética).
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Resposta: C
Segundo o último consenso da Sociedade Bárány, apenas com critérios de anamnese e exame físico se confirma o diagnóstico. Os critérios utilizados seriam: ao menos 5 episódios de sintomas vestibulares com duração de 5 minutos a 72 horas. História prévia ou atual de migrânea com ou sem aura. Pelo menos 50% destes episódios de migrânea serem acompanhados de sintomas vestibulares, sendo as cefaleias localizadas em uma área específica, característica pulsátil, moderada a severa intensidade, e com piora às atividades físicas, e que não se tenha outras doenças vestibulares comprovadas. Lempert T, Olesen J, Furman J, Waterston J, Seemungal B, Carey J, et al. Vestibular migraine: Diagnostic criteria. J Vestib Res. 2012;22(4):167-72.
07 A reabilitação vestibular baseia-se principalmente no princípio de:
A) Supressão farmacológica permanente
B) Compensação central e habituação ao estímulo
C) Imobilização prolongada
D) Labirintectomia química de rotina
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Resposta: B
A reabilitação vestibular promove compensação central, adaptação do reflexo vestíbulo-ocular e habituação; o uso prolongado de supressores vestibulares deve ser evitado por retardar a compensação.
08 Paciente de 49 anos, com início insidioso de episódios de vertigem há aproximadamente 5 meses, de curta duração (segundos), que ocorrem de forma espontânea. Os episódios são frequentes e ocorrem pelo menos 5 vezes ao dia. Nega queixas auditivas ou neurológicas. Apresenta história de cefaleias migranosas esporádicas, mas sem relação com as crises de tontura. Ao exame físico na avaliação ambulatorial, fora da crise, a única alteração encontrada foi um nistagmo induzido por hiperventilação. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
A) Paroxismia vestibular.
B) Migrânea vestibular.
C) Doença de Ménière.
D) Epilepsia vestibular.
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Resposta: A
O diagnóstico da paroxismia vestibular é clínico, geralmente se apresentando com episódios recorrentes de vertigem espontânea com duração de segundos e que podem ocorrer diversas vezes ao dia. Sintomas auditivos podem ou não ocorrer como zumbido e hiperacusia durante as crises. A presença do exame de ressonância magnética mostrando imagem sugestiva de conflito neurovascular no nervo vestibular não é necessária para o diagnóstico. Porém, para o diagnóstico definitivo há necessidade de resposta positiva no teste terapêutico com carbamazepina ou oxcarbazepina. A presença de nistagmo induzido por hiperventilação não é um sinal específico, mas sugere esse diagnóstico nesse contexto. A ausência de sintomas auditivos e neurológicos bem como a curta duração das crises torna as hipóteses de migrânea vestibular, doença de Ménière e epilepsia vestibular menos prováveis. Strupp M, Lopez-Escamez JA, Kim J-S, Straumann D.
09 Em relação à doença de Ménière, qual dos seguintes exames tem papel mais relevante no diagnóstico da doença?
A) Eletrococleografia.
B) Audiometria.
C) VEMP.
D) Prova calórica.
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Resposta: B
De acordo com os critérios de classificação da doença de Ménière (Bárány Society), é necessário quadro de perda auditiva sensorial de baixa e média frequência. A audiometria é o exame padrão ouro para detectar perda auditiva.
10 Paciente de 65 anos, com queixa de tontura desencadeada pela movimentação da cabeça. Ao exame físico: Dix-HallPike com nistagmo torcional horário, com componente vertical para cima. Restante do exame físico otológico e otoneurológico sem alterações. Realizada hipótese diagnóstica de VPPB. Qual o canal acometido?
A) Canal anterior.
B) Canal lateral.
C) Canal posterior.
D) Não se pode afirmar, pois não sabemos para qual lado foi feita a manobra.
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Resposta: C
Na vertigem posicional paroxística benigna o canal acometido é definido pelo nistagmo e não pela manobra realizada. No canal posterior, torcional com componente vertical para cima e, no canal anterior, torcional com componente vertical para baixo. von Brevern M, et al. Benign paroxysmal positional vertigo: diagnostic criteria. J Vest Res. 2015;25(3-4):105-17.
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.