Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Pediatria é a quinta maior área da Prova de Título: 278 questões no banco da ORL Lab, 10,9% do total. É a área com a maior distância entre o que se atende no ambulatório e o que a prova cobra.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Pediatria
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
Estridor: crônico ou agudo
O primeiro corte é temporal, não anatômico. Definir se o estridor é crônico ou
agudo separa laringomalácia de laringite e de corpo estranho.
Malformações e síndromes lideram — 53 questões, à frente de adenotonsilectomia.
É a área em que a prova mais foge do ambulatório: CHARGE, Down, Pierre Robin e fenda
laringotraqueoesofágica rendem mais questões que a cirurgia que você faz toda semana.
Três armadilhas recorrentes
Prescrever codeína no pós-operatório de tonsilectomia. Está contraindicada em criança
operada por apneia obstrutiva: metabolizadores ultrarrápidos podem atingir níveis tóxicos de
morfina, com relatos de óbito. Ibuprofeno e paracetamol seguem permitidos.
Achar que polipose nasal em criança é atopia. É rara na infância e, quando aparece,
obriga a investigar fibrose cística — sobretudo com baixo peso e doença de via aérea inferior.
Tratar todo estridor crônico como laringomalácia benigna. Diante de cianose, baixo
ganho ponderal ou malformação cardíaca em investigação, a conduta é endoscopia em ambiente
cirúrgico, não observação nem exame acordado.
Como estudar esta área
Otorrinolaringologia pediátrica é a área com maior distância entre o que se atende e o que se
cobra. Quem estuda pela prática chega forte em adenotonsilectomia e otite média, e fraco
justamente no bloco que mais rende: síndromes, malformações e classificações.
Vale reservar tempo específico para os quadros que você provavelmente nunca viu. São questões
de resposta fixa, decoráveis, e que valem o mesmo ponto das outras.
Dez questões comentadas de Pediatria
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 Constitui o principal tratamento da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) em crianças sem comorbidades:
A) Perda ponderal.
B) Adenoidectomia e/ou tonsilectomia.
C) CPAP (Continuous Positive Airway Pressure).
D) Corticosteroides nasais.
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Resposta: B
O principal tratamento da SAOS em crianças é cirúrgico, por adenotonsilectomia, com base no fato de que sua etiologia mais comum é a hipertrofia adenotonsiliana. Embora a taxa de sucesso seja variável entre os estudos já realizados, quase todos os pacientes apresentam redução significativa nos índices de apneia e hipopneia do sono quando aferidos no pré e pós-operatório, resultando em melhora da qualidade de vida, comportamento e função cognitiva. Zancanella E.
02 Qual das medicações abaixo devem ser evitadas em uma criança em que foi realizada tonsilectomia para apneia obstrutiva do sono?
A) Paracetamol no pós-operatório.
B) Ibuprofeno no pós-operatório.
C) Corticosteroides no transoperatório.
D) Codeína no pós-operatório.
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Resposta: D
O guideline da Academia Americana de Otorrinolaringologia indica no tratamento da dor no pós-operatório de Tonsilectomia, o uso de paracetamol (acetominofeno) e ibuprofeno. Corticosteroides são utilizados no perioperatório de Tonsilectomia o que diminui os vômitos e dor no pós-operatório imediato. Codeína deve ser evitada no pós-operatório para o tratamento da dor pós-tonsilectomia, pois há os riscos de depressão respiratória e superdosagem.
03 Criança de 1 mês de vida com malformação cardíaca em investigação, apresenta estridor, baixo ganho ponderal e episódios de cianose. Qual a melhor conduta diagnóstica inicial:
A) Expectante até esclarecimento da doença cardíaca.
B) Fibronasolaringoscopia acordada.
C) Fibronasolaringoscopia em bloco cirúrgico sob anestesia.
D) Tomografia de tórax.
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Resposta: C
A caracterização clínica do sintoma não é suficiente para diagnóstico preciso da causa do estridor. Por isso exame endoscópico é indispensável, uma vez que determina a causa exata do sintoma, além de excluir concomitância de outras lesões na via aérea. Na maioria das vezes a fibronasolaringoscopia em consultório é suficiente e segura para diagnosticar a maioria dos pacientes com estridor sem sinais de gravidade. O exame da via aérea em bloco cirúrgico é indicada para casos em que os achados iniciais são insuficientes para explicar a gravidade do estridor.
04 Nas crianças com rinossinusite crônica com pólipos nasais, a principal suspeita etiológica é de:
A) Imunodeficiência comum primária.
B) Fibrose cística.
C) Atopia importante.
D) Corpo estranho nasal.
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Resposta: B
A presença de polipose nasal em crianças é rara, e, quando presente, a causa mais comum é a fibrose cística, especialmente quando associada a baixo peso, doença da via respiratória inferior e distúrbios gastrointestinais.
05 Desde 2010 é Lei Federal que todas as crianças nascidas no Brasil sejam submetidas à triagem auditiva neonatal. O teste mais comumente realizado é:
A) Potencial evocado auditivo de tronco encefálico frequência específica.
B) Teste de emissões otoacústicas transientes.
C) Apenas a presença do reflexo cocleopalpebral é suficiente para afastar a surdez.
D) Avaliação auditiva comportamental realizada por duas fonoaudiólogas no berçário.
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Resposta: B
O teste de emissões otoacústicas transientes, por sua sensibilidade nas disfunções cocleares, é utilizado em larga escala nos programas de screening em recémnascidos. Para a triagem auditiva neonatal é recomendado o modo não linear, em que os pulsos são apresentados em grupos de quatro. Três pulsos são apresentados a 80 dB NPS e um a 90 dB NPS pico equivalente, na polaridade oposta. Zuma e.
06 A profilaxia recomendada para otite média aguda de repetição refratária em criança selecionada é:
A) Antibioticoterapia sistêmica contínua por anos
B) Colocação de tubo de ventilação (timpanostomia)
C) Adenoamigdalectomia isolada
D) Corticoide intranasal indefinido
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Resposta: B
Em otite média aguda de repetição ou otite média com efusão persistente com repercussão, a timpanostomia com tubo de ventilação é a conduta preferencial, restaurando a aeração da orelha média.
07 Diante de aspiração de corpo estranho em criança, o local mais frequente de impactação na árvore respiratória é:
A) Brônquio-fonte esquerdo
B) Brônquio-fonte direito
C) Laringe
D) Traqueia distal
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Resposta: B
O brônquio-fonte direito é mais frequentemente acometido por ser mais curto, calibroso e verticalizado; a apresentação clássica é tosse súbita, sibilância unilateral e redução do murmúrio.
08 Uma FLTE (fenda laringotraqueoesofágica) que se estende até a traqueia cervical seria classificada como:
A) Benjamin-Inglis tipo I.
B) Benjamin-Inglis tipo II.
C) Benjamin-Inglis tipo III.
D) Benjamin-Inglis tipo IV.
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Resposta: C
Classificação consagrada, de 1989, de Benjamin e Inglis. Tipo I, fenda interaritenóidea supraglótica. Tipo II fenda parcial na cartilagem cricoide. Tipo III fenda total na cartilagem cricoide e em toda parede posterior da traqueia cervical. Tipo IV essa fenda estende-se até a traqueia torácica. Benjamin B, Inglis A. Minor congenital laryngeal clefts: diagnosis and classification. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1989 Jun;98(6):41720. doi: 10.1177/000348948909800603. PMID: 2729823.
09 Na avaliação de um paciente com suspeita de linfangioma, o exame que proporciona melhor definição da extensão da doença e infiltração nos tecidos moles circundantes é:
A) Ultrassonografia.
B) Tomografia computadorizada.
C) Ressonância magnética.
D) Radiografia cervical.
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Resposta: C
A ressonância magnética fornece resolução superior do tecido mole, facilitando a avaliação de extensão da doença e infiltração nos tecidos moles circundantes. Além disso, oferece o benefício adicional de não submeter a paciente à radiação ionizante.
10 Assinale em qual dessas situações deve ser solicitada polissonografia para criança com indicação de adenotonsilectomia por diagnóstico de distúrbio respiratório do sono:
A) Criança com 3 anos de idade.
B) Antecedente de prematuridade.
C) Diagnóstico de paralisia cerebral.
D) Tonsilas grau +4 de Brodsky e adenoide obstruindo 90% do cavum.
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Resposta: C
Indicação de polissonografia em crianças: idade < 2 anos, obesidade, síndrome de Down, anormalidade craniofacial, doenças neuromusculares, anemia falciforme, mucopolissacaridose. Clinical Practice Guideline: Tonsillectomy in Children (Update)Executive Summary.
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.