Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Medicina do Sono é a sétima maior área da Prova de Título: 181 questões no banco da ORL Lab, 7,1% do total. É provavelmente a área com melhor retorno por hora de estudo — quase tudo é classificação e definição.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Medicina do Sono
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
Os quatro tipos de polissonografia
Assistência por técnico e número de canais são os dois critérios que a prova usa
para diferenciar os tipos. É pergunta de resposta fixa.
Ronco e polissonografia lideram com 57 e 55 questões. Cirurgia da faringe tem 13.
A prova cobra diagnóstico e definição, não técnica cirúrgica — o oposto do que a
maioria estuda nesta área.
Três armadilhas recorrentes
Ignorar a apneia central que aparece depois do CPAP. Quando surge com o tratamento,
o nome é apneia central emergente ao CPAP. Não é doença neurológica, cardíaca nem pulmonar de
base — e a prova oferece essas três alternativas.
Confundir os músculos que o avanço maxilomandibular beneficia. São os dilatadores
supra-hióideos — genioglosso, gênio-hióideo e milo-hióideo. Masseter e pterigóideo são da
mastigação e não entram nessa conta.
Achar que criança operada de adenotonsilectomia está resolvida. Deficiência
transversal da maxila é fator de risco para apneia residual, e é o que explica o caso que
volta ao consultório meses depois.
Como estudar esta área
Medicina do Sono é a área mais "decorável" da prova: tipos de polissonografia, índices,
classificações de Mallampati e Friedman, indicações de aparelho intraoral. São perguntas de
resposta fixa e alto retorno por hora de estudo.
Deixe a técnica cirúrgica para o fim. Ela ocupa pouco espaço na prova, apesar de ocupar
muito espaço nos congressos.
Dez questões comentadas de Medicina do Sono
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 Qual tipo de polissonografia é assistida por um técnico durante o sono e possui sete ou mais canais?
A) Tipo 1
B) Tipo 2
C) Tipo 3
D) Tipo 4
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Resposta: A
A polissonografia Tipo 1 é a que possui sete canais e é assistida por um técnico durante a noite. A polissonografia tipo 2 possui sete canais, entretanto, é feita de forma domiciliar, não sendo assistida por técnico.
02 A classificação de Mallampati/Friedman modificada, usada na avaliação do paciente roncador, avalia:
A) O grau de desvio septal
B) A relação entre palato/língua e a visibilidade das estruturas orofaríngeas
C) O índice de massa corporal isolado
D) A saturação mínima de oxigênio
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Resposta: B
A classificação de posição da língua de Friedman (baseada no Mallampati modificado) avalia a visibilidade das estruturas orofaríngeas com a boca aberta e língua em repouso, ajudando a estratificar candidatos à cirurgia faríngea.
03 Quando um paciente com apneia obstrutiva do sono apresenta apneias centrais após o início de tratamento com CPAP (aparelho de pressão aérea contínua em via aérea, o provável diagnóstico é:
A) Apneia central decorrente de doença neurológica.
B) Apneia central decorrente de doença cardiovascular.
C) Apneia central decorrente de doença pulmonar.
D) Apneia central emergente ao uso do CPAP.
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Resposta: D
Na apneia central emergente ao tratamento, previamente denominada de apneia complexa, o paciente apresenta predominância de eventos obstrutivos na polissonografia basal, porém, apneias ou hipopneias centrais emergem ou persistem no tratamento com aparelho de pressão positiva e são a anormalidade respiratória residual predominante. A etiopatogenia é em decorrência do desbalanço do centro respiratório após alteração da pressão de CO2 ocasionada pela desobstrução da via aérea superior. International Classification of Sleep Disorders, 3 rd ed. Darien: American Academy of Sleep Medicine, 2014. Nigam G, Riaz M.
04 São músculos dilatadores da faringe, com sua ação positivamente impactada pelo avanço maxilomandibular:
A) M. hioglosso, M. estilofaríngeo, M. estiloglosso.
B) M. genioglosso, M. gênio-hióideo e M. milo-hióideo.
C) M. masseter, M. pterigóideo medial, M. omo-hióideo.
D) M. bucinador, M. palatofaríngeo. M. palatoglosso.
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Resposta: B
Os músculos genioglosso, gênio-hióideo e milo-hióideo compõem o assoalho da cavidade bucal e possuem uma de suas inserções da face interna da região mentoniana. Quando contraídos, uma das ações deste grupamento muscular consiste na anterior da base da língua, com consequente aumento do espaço retrolingual e estabilização da faringe. Desta forma, com o avanço da mandíbula e consequente estiramento deste grupo de músculos pode impactar de forma positiva no tratamento da AOS. O músculo hioglosso, situado na base da língua, tem uma ação antagônica aos músculos previamente citados. M. masseter e pterigóideo medial são relacionados com o processo mastigatório. O músculo bucinador não se relaciona com a dinâmica faríngea.
05 Na técnica de uvulopalatofaringoplastia (UPFP) para tratamento cirúrgico de apneia do sono, quais musculaturas são principalmente manipuladas?
A) Palatofaríngeo, salpingofaríngeo e palatoglosso.
B) Palatofaríngeo, constrictor médio da faringe e palatoglosso.
C) Palatofaríngeo, constritor superior da faringe e palatoglosso.
D) Palatofaríngeo, estilofaríngeo e palatoglosso.
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Resposta: C
Na técnica de uvulopalatofaringoplastia manipulam-se os músculos palatofaríngeo (pilar amigdaliano posterior), constritor superior da faringe (lateral da loja amigdaliana) e palatoglosso (pilar amigdaliano anterior) unindo-os com sutura absorvível objetivando anteriorização palatal e sustentação dos tecidos da parede lateral da faringe.
06 Constitui fator de risco para AOS residual pós-adenotonsilectomia crianças:
A) Escore Z abaixo da média.
B) Perfil facial classe I de Angle.
C) Deficiência transversal da maxila.
D) Prognatismo mandibular.
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Resposta: C
Constituem fatores de risco para AOS residual, pósadenontonsilectomia, na população pediátrica, dentre outros fatores: obesidade, alterações craniofaciais, destacando-se o perfil facial classe II de Angle (retrognatia), deficiência transversal da maxila (menores dimensões internas intranasais). Desta forma, pacientes com os fatores de risco descritos devem ser acompanhados no período pós-operatório quanto à possibilidade de AOS residual. Guilleminault C, Akhtar F. Pediatric sleep-disordered breathing: new evidence on its development. Sleep Med Reviews 2015;24:46-56.
07 O aparelho intraoral de avanço mandibular está mais indicado na apneia:
A) Grave com IAH > 60
B) Leve a moderada ou em intolerantes ao CPAP
C) Central pura
D) Associada a obesidade mórbida exclusivamente
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Resposta: B
Os dispositivos intraorais de avanço mandibular são indicados na AOS leve a moderada e em pacientes com AOS que não toleram o CPAP, aumentando o espaço retroglossal.
08 Na anamnese do paciente com queixa de ronco, é dispensável perguntar sobre:
A) Paradas respiratórias notadas por companheiro(a).
B) Se o sono foi repousante ao acordar.
C) Sonolência diurna.
D) Uso de roupas leves para dormir.
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Resposta: D
É importante perguntar sobre a presença de paradas respiratórias pelo(a) companheiro(a) se o sono foi repousante e sobre a sonolência diurna. Caldas Neto S, Mello.
09 Pacientes com sequência de Robin apresentam, caracteristicamente:
A) Fissura labial, prognatismo mandibular e glossoptose.
B) Fissura de palato, retrognatia e glossoptose.
C) Fissura de palato, retrusão maxilar e frênulo lingual encurtado.
D) Fissura labial, retrognatia e frênulo lingual encurtado.
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Resposta: B
Pacientes com sequência de Robin apresentam, tipicamente, retrognatia significativa associada à glossoptose. Frequentemente estas alterações encontram-se associadas à presença de fissura de palato.
10 Sobre a AOS na população pediátrica, assinale e alternativa CORRETA:
A) A manifestação clínica frequentemente presente é sonolência diurna excessiva.
B) O grau de hipertrofia tonsilar correlaciona-se com intensidade da AOS.
C) O pico de incidência de AOS em crianças ocorre na idade escolar.
D) Irritabilidade e déficit de atenção são manifestações típicas em crianças.
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Resposta: D
Na população pediátrica, dentre as manifestações diurnas da AOS destacam-se a irritabilidade e os sintomas sugestivos de déficit de atenção. De forma diferente da população adulta, cuja sintomatologia reflete, tipicamente, em sonolência diurna excessiva, a fragmentação do sono, resultante dos eventos respiratórios no pequeno paciente, expressa-se, predominantemente, como irritabilidade. O grau de hipertrofia tonsilar não reflete, obrigatoriamente, em maior gravidade da AOS, pois mecanismos compensatórios que aumentam a permeabilidade faríngea podem estar presentes, mesmo em crianças com grandes aumentos das tonsilas palatinas. O pico de incidência da AOS na população pediátrica é encontrado nas crianças pré-escolares, entre 4 e 6 anos de idade.
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.