Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Estomatologia é a nona maior área da Prova de Título: 140 questões no banco da ORL Lab, 5,5% do total. É pequena, costuma ficar de fora do cronograma e rende ponto com pouca hora de estudo.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Estomatologia
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
Lesões brancas: o que raspa e o que não raspa
A raspagem é o primeiro corte diagnóstico e resolve boa parte das questões de
lesão branca da mucosa oral.
Depois das lesões brancas, o segundo tema é manifestação de doença sistêmica — 31
questões. A prova usa a boca como janela: HIV, diabetes e discrasias aparecem por meio de
achado oral, e a pergunta é sobre a doença de base.
Três armadilhas recorrentes
Achar que leucoplasia se remove à raspagem. Não se remove — é justamente o que a
separa da candidíase pseudomembranosa. Placa branca que não destaca exige biópsia.
Colocar glossite romboide mediana entre as lesões de risco. É branca, é de língua, mas
não tem potencial de malignização. Queilite actínica, líquen plano e leucoplasia verrucosa têm.
Tratar afta com corticoide sistêmico de entrada. Na crise, a escolha é corticoide
tópico. Dapsona e colchicina entram em casos refratários ou recorrentes, não no primeiro
episódio.
Como estudar esta área
Estomatologia é pequena e barata de estudar. Dominar as lesões brancas — quais raspam, quais
têm risco — e as manifestações orais de doença sistêmica cobre quase metade do que pode ser
perguntado.
É o tipo de área que costuma ficar de fora do cronograma e que rende ponto com poucas horas
de estudo.
Dez questões comentadas de Estomatologia
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 Em relação às leucoplasias orais, é CORRETO afirmar que:
A) O epitélio displásico pode ser encontrado em 25% das amostras de biópsias de leucoplasias.
B) As placas brancas são removíveis por raspagem.
C) Representam um aumento puro e simples da camada de queratina.
D) Respondem bem ao tratamento com vitamina B.
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Resposta: A
Embora a leucoplasia seja considerada lesão prémaligna, a maior parte (cerca de 75%) tem caráter benigno. Caldas Neto S, Mello.
02 Qual forma de candidíase mais comum associada ao HIV?
A) Queilite angular.
B) Candidíase hiperplásica.
C) Candidíase eritematosa focal em língua (glossite romboide mediana).
D) Candidíase pseudomembranosa.
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Resposta: D
A candidíase é uma infecção oportunista associada ao fungo Candida albicans e é a manifestação intraoral mais comum na infecção pelo HIV. As formas eritematosa difusa e pseudomembranosa são os padrões clínicos mais encontrados no paciente HIV. A candidíase pseudomembranosa, forma aguda de infecção, é caracterizada por placas brancas destacáveis que se apresentam sobre superfície mucosa vermelha e está relacionada com a queda de CD4. Suryana K, Suharsono H.
03 Qual dos quadros abaixo não apresenta, habitualmente, risco de malignização?
A) Queilite actínica.
B) Glossite romboide mediana.
C) Líquen plano.
D) Leucoplasia verrucosa.
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Resposta: B
A glossite romboide mediana, ou atrofia papilar central, no passado foi considerada uma alteração do desenvolvimento da língua, mas, atualmente, a maioria dos autores considera tratar-se de uma infecção fúngica crônica associada, em 90% dos casos, à colonização por Candida albicans. Silva L.
04 Durante crises de afta, a droga de escolha para tratamento é:
A) Corticosteroide tópico.
B) Dapsona.
C) Colchicina.
D) Corticosteroide sistêmico.
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Resposta: A
Durante as crises, o tratamento de eleição é apenas local. Outras drogas podem ser usadas nos intervalos entre as crises, se a doença for de repetição, para evitar o aparecimento de novos episódios. Caldas Neto S, Mello.
05 Mulher, 22 anos, sexualmente ativa, apresentando lesões brancas em placa em palato, múltiplas, irregulares, indolores com aspecto serpiginoso. Qual o provável diagnóstico?
A) Sífilis primária.
B) Sífilis secundária.
C) Granuloma letal de linha média.
D) Granuloma orofacial.
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Resposta: B
Doença sexualmente transmissível provocada pela espiroqueta Treponema pallidum. Fase primária caracterizada pelo cancro duro, indolor, lesão única, ulcerada com borda endurecida. Após período de latência de 4-6 semanas observa-se fase secundária com placas esbranquiçadas, com halo enantemático de aspecto serpiginoso, em palato, indolores, associadas a lesões palmoplantares bacilíferas. Regezi J, Sciubba J, Jordan R. – Sífilis.
06 Marque as complicações do sarampo que ocorrem na cavidade oral:
A) Aftas e língua saburrosa.
B) Perda dos elementos dentários e drenagem de secreção pelo ducto de Stenon.
C) Candidose e estomatite necrosante aguda.
D) Lesões bolhosas e vesiculares.
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Resposta: C
O vírus do sarampo é um Paramixovírus, altamente contagioso e que mobiliza bastante a imunidade do hospedeiro. A candidose é a infecção oportunista que ocorre frequentemente e a estomatite necrosante aguda é comum em paciente com comprometimento imunológico.
07 Os achados histopatológicos em forma de roda de leme são encontrados na:
A) Leishmaniose.
B) Tuberculose.
C) Paracoccidioidomicose.
D) Actinomicose.
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Resposta: C
Os microrganismos mostram, frequentemente, múltiplos brotamentos filhos ligados à célula mãe, resultando em uma aparência descrita como semelhante às “orelhas de Mickey Mouse” ou “roda de leme” de um navio. Os fungos podem ser visualizados com a coloração de hematoxilina-eosina ou Grocott, sendo essa última a mais eficaz. Neville BW et al. Patologia oral e maxilofacial, 3.ed. Guanabara Koogan; 009. c. 6 - Infecções Fúngicas e Protozoárias.
08 A acantólise da camada espinhosa do epitélio oral é característica de:
A) Penfigoide bolhoso das mucosas.
B) Líquen plano.
C) Epidermólise bolhosa.
D) Pênfigo vulgar.
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Resposta: D
O pênfigo vulgar é uma doença que ocasiona a formação de bolhas intraepidérmicas em pele e mucosa. As células da camada espinhosa do epitélio de superfície apresentam-se geralmente separadas, uma característica que tem sido denominada acantólise, e as células soltas tendem a assumir uma forma arredondada. No penfigoide bolhoso, a biópsia da mucosa perilesional exibe uma separação entre o epitélio de superfície e o tecido conjuntivo subjacente na região da membrana basal. No líquen plano a espessura da camada espinhosa pode variar, porém, não encontramos a acantólise. Na epidermólise bolhosa encontramos fendas subepiteliais. Neville BW et al. Patologia oral e maxilofacial. 3. ed. Guanabara Koogan; 2009. c. 16 - Doenças dermatológicas. Moreno P.
09 No pênfigo vulgar, com a formação da fenda acantolítica, ocorre edema intercelular e células livres flutuam no interior da bolha. Essas células são chamadas de:
A) Células de Civatte.
B) Células de Reed-Sternberg.
C) Células de Tzanck.
D) Células de Nikolsky.
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Resposta: C
Corpos de Civatte são encontrados no histopatológico do líquen plano. Células de Reed-Sternberg são células encontradas no linfoma de Hodgkin e são conhecidas pela semelhança com olhos de coruja. Sinal Nikolsky está presente no pênfigo vulgar e ocorre quando existe a formação de uma bolha ao se friccionar o epitélio próximo às lesões. Moreno P.
10 Como se faz o diagnóstico definitivo de doença vesicobolhosa?
A) Pela clínica exuberante, porque é muito característica.
B) Pela clínica e pela imunofluorescência indireta.
C) Pela cultura do tecido e histopatológico.
D) Pela imunofluorescência direta e histopatológico.
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Resposta: D
As três principais técnicas para investigar as doenças vesicobolhosas autoimunes são a imunofluorescência indireta, a imunofluorescência direta e a histopatologia. A primeira permite a titulação de anticorpos em várias diluições do soro em solução salina e determina a maior diluição com fluorescência visível. A segunda detecta anticorpos presentes nos tecidos acometidos. Faz-se, então, uma biópsia perilesional, e coloca-se o material no meio de Michel, transporte ideal que não causa prejuízo na imunomarcação. Outra amostra do material deve ser colhida para exame histopatológico e colocada em formol para transporte. Utiliza-se a coloração hematoxilina-eosina. Neville BW et al. Patologia oral e maxilofacial. 3.ed. Guanabara Koogan; 2009. c. 16. Moreno P.
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.