Conteúdo da ORL Lab, referenciado no Tratado da ABORL-CCF · atualizado em agosto de 2026
Cabeça e Pescoço é a terceira maior área da Prova de Título: 328 questões no banco da ORL Lab, 12,9% do total. É também a área mais cirúrgica da prova — e a que mais cobra classificação, níveis cervicais e tipo histológico.
Peso de cada área no banco
Temas mais frequentes em Cabeça e Pescoço
Número de questões do banco da ORL Lab que abordam cada tema. Uma questão pode
tocar mais de um tema, então a soma ultrapassa o total.
Massa cervical é o tema número um — mais que tireoide e mais que câncer de boca.
Não é doença, é apresentação: o enunciado descreve um nódulo no pescoço e pede o raciocínio.
Quem estuda por doença chega despreparado para essa pergunta.
Três armadilhas recorrentes
Confundir o tumor maligno mais comum de glândula salivar com o de orofaringe. Na
parótida o mais frequente é o mucoepidermoide; nas glândulas salivares menores da orofaringe é
o adenoide cístico. A prova troca o sítio e mantém a alternativa.
Achar que leucoplasia é a lesão de maior risco. Leucoplasia é a mais comum, mas a
eritroplasia tem risco de malignização bem maior. Frequência e risco não são a mesma coisa,
e a questão explora exatamente essa diferença.
Nomear o esvaziamento cervical pela quantidade de níveis. O nome vem de quais
estruturas não linfáticas foram preservadas. Ressecar jugular interna e nervo acessório
mantendo o esternocleidomastóideo é radical modificado — não lateral, nem supraomo-hióideo.
Como estudar esta área
Cabeça e Pescoço é a área mais cirúrgica da prova, e a que mais cobra classificação e
anatomia de níveis. Vale decorar os seis níveis cervicais e o que cada tipo de esvaziamento
preserva — isso resolve sozinho uma parcela desproporcional das questões.
O outro bloco que rende é o histológico: qual o tipo mais comum em cada sítio. São perguntas
diretas, de resposta fixa, que aparecem todo ano.
Dez questões comentadas de Cabeça e Pescoço
Todas no formato da prova de título, com comentário completo. Clique em cada uma para ver a resposta.
01 Lesões pré-malignas podem associar-se ao câncer de cavidade oral. Qual apresenta maior risco de malignização?
A) Eritroplasia.
B) Leucoplasia.
C) Líquen plano.
D) Leucoplasia verrucosa.
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Resposta: A
O risco de malignização de leucoplasias varia de 5 a 30% e o das eritroplasias em 90%. O líquen plano na mucosa oral está associado a maior risco de desenvolvimento de câncer. A leucoplasia verrucosa proliferativa é mais comum na população idosa, apresentando-se como placas múltiplas e assimétricas que se tornam verrucosas, com aspecto muito semelhante ao carcinoma verrucoso. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia CérvicoFacial – ABORL-CCF. Tratado de otorrinolaringologia, 3.ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2017.
02 O tipo histológico mais frequente de câncer de laringe e de cavidade oral é o:
A) Adenocarcinoma
B) Carcinoma espinocelular (epidermoide)
C) Carcinoma adenoide cístico
D) Linfoma
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Resposta: B
O carcinoma espinocelular (epidermoide) é, de longe, o tipo histológico mais comum das vias aerodigestivas superiores, fortemente associado ao tabagismo e etilismo.
03 Dentre os tumores malignos de glândulas salivares em orofaringe, qual o tipo histológico mais comum?
A) Carcinoma mucoepidermoide.
B) Carcinoma adenoide cístico.
C) Adenocarcinoma.
D) Carcinoma de células acinares.
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Resposta: B
O mais comum tipo histológico de neoplasia maligna de glândula salivar na orofaringe é o carcinoma adenoide cístico. Ele apresenta um comportamento de disseminação que segue ao longo dos linfáticos perineurais na bainha de mielina, com ressurgimento em espaços do trajeto nervoso, na base do crânio, intracraniais ou partes moles. Podem apresentar metástases para linfonodos, pulmão e ossos, sendo normalmente bem tardias. O carcinoma mucoepidermoide vem em seguida, com um comportamento mais agressivo, proporcional ao grau de diferenciação, tanto localmente como na produção de metástases para linfonodos, usando as vias linfáticas convencionais para isso. O adenocarcinoma é o de maior malignidade. Associação Brasileira – ABORL-CCF. Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, 3.ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. p. 677. Edição impressa.
04 Quando em cirurgias de tireoide, com monitorização dos nervos laríngeos, verifica-se que, ao se estimular o nervo vago direito, obteve-se a latência de 2 ms, pode-se estabelecer a possibilidade de:
A) Tubo endotraqueal mal posicionado.
B) Resposta eletromiográfica compatível com o ramo motor do nervo laríngeo superior.
C) Possível presença do n. recorrente não recorrente.
D) Nervo vago direito lesionado.
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Resposta: C
A presença de respostas encurtadas para o nervo vago situado à direita representa que existe menor distância entre o local da estimulação elétrica e a resposta obtida na endolaringe, significando a presença do nervo laríngeo inferior não recorrente deste lado. Randolph GW et al. Electrophysiologic recurrent laryngeal nerve monitoring during thyroid and parathyroid surgery: International Standards Guideline Statement. Laryngoscope 2011;121. NÓDULO DE TIREOIDE.
05 Em cirurgia de cabeça e pescoço, a biópsia de linfonodo sentinela visa, principalmente:
A) Detecção de metástases subclínicas.
B) Diagnóstico precoce do subtipo tumoral.
C) Quantificar o número de linfonodos acometidos.
D) Estadiar a doença.
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Resposta: A
A biópsia do linfonodo sentinela é uma técnica minimamente invasiva realizada em conjunto com a injeção de radiotraçador e linfocintigrafia, que permite identificação, excisão e análise histológica do(s) linfonodo(s) da primeira estação de drenagem linfática a partir de determinado tumor, visando à detecção de metástases subclínicas. Considerando-se o alto valor preditivo negativo do método (90-100%) e que o linfonodo sentinela representa as demais cadeias linfonodais, o uso dessa técnica pode evitar a morbidade associada ao esvaziamento eletivo desnecessário nos pacientes portadores de neoplasias malignas de cavidade oral e orofaringe. No entanto, a técnica ainda é considerada experimental. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia CérvicoFacial – ABORL-CCF. Tratado de otorrinolaringologia, 3.ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2017. CÂNCER DE LARINGE.
06 Foi realizada uma cirurgia com ressecção de linfonodos dos níveis I, II e III, veia jugular interna e nervo acessório. Em relação ao esvaziamento cervical realizado, assinale a alternativa CORRETA:
A) Esvaziamento cervical radical modificado.
B) Esvaziamento cervical supraomohióideo.
C) Esvaziamento cervical lateral.
D) Esvaziamento cervical superseletivo.
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Resposta: B
Quanto à nomenclatura dos esvaziamentos cervicais seletivos, ela se refere aos níveis cervicais removidos. Não se refere às estruturas não linfáticas removidas. Os níveis cervicais removidos foram os I, II e III, e mesmo que tenham removido músculo esternoclidomastoideo, veia jugular interna e nervo acessório, continuam como esvaziamento cervical seletivo. Tratado de otorrinolaringologia e cervicofacial. 3. ed. Guanabara Koogan; 2017. c. 140.
07 Pela última classificação TNM (2017), os cânceres de língua, na cavidade oral, seguem a seguinte definição:
A) Qualquer invasão da musculatura da língua transforma o tumor em T4.
B) O fator mais importante é a existência de necrose tumoral.
C) É importante a definição de ulceração na superfície do tumor.
D) A extensão do tumor e a profundidade de invasão são os dados mais relevantes.
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Resposta: D
A última classificação TNM para cânceres em língua na cavidade oral, leva em consideração a extensão tumoral na superfície mucosa da língua e também a profundidade de invasão dos tumores na sua musculatura. AJCC Cancer Staging Manual, 8th ed. Springer Internacional Publishing, 2017. TUMORES MALIGNOS DE OSSO TEMPORAL.
08 O câncer de nasofaringe é uma neoplasia pouco frequente e conhecida por estar associada a vários fatores etiológicos. Quais são as etiologias associadas a este tumor?
A) Tabagismo, vírus Epstein-Barr, embutidos, bebidas alcoólicas e peixe.
B) Tabagismo, peixe salgado chinês, bebidas alcoólicas e vírus de EpsteinBarr.
C) Tabagismo, vírus de Epstein-Barr, conserva de peixe salgado e suscetibilidade genética.
D) Suscetibilidade genética, bebidas alcoólicas, peixe salgado chinês e tabagismo.
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Resposta: C
Vários estudos sugerem várias etiologias na gênese do câncer de nasofaringe, incluindo suscetibilidade genética, infecção por EBV, tabagismo e consumo durante muitos anos de conserva de peixe salgado que faz parte da dieta na população que vive no sul da China. Outros fatores ambientais, como exposição ocupacional a pó de madeira, formaldeído, calor, fumaça, poeira e vapores químicos, são também relacionados como fatores contribuintes/causadores potenciais de câncer de nasofaringe. Petersson F. Nasopharyngeal carcinoma: a review. Semin Diagn Pathol 2015;32:54-73.
09 Quais os parâmetros observados numa disfagia orofaríngea de um paciente laringectomizado total?
A) Resíduo alimentar oral.
B) Penetração e/ou aspiração.
C) Resíduo faringoesofágico.
D) Refluxo nasal.
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Resposta: C
A sensação de alimento parado na região faringoesofágica pode ser causada por hipertonia, espasmo ou estenose do segmento faringoesofágico e o paciente restringe a ingesta oral para alimentos mais liquidificados ou pastosos.
10 Sobre o hiperparatireoidismo secundário, selecione a alternativa CORRETA:
A) Os níveis de PTH podem atingir valores acima de 1.000 pg/dL nos pacientes com insuficiência renal em diálise.
B) O carcinoma de paratireoide é um importante diagnóstico diferencial pelos níveis muito elevados de cálcio.
C) A insuficiência renal crônica é a única causa.
D) A hipovitaminose D pode gerar aumento do PTH, mas não o hiperparatireoidismo secundário.
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Resposta: A
O hiperparatireoidismo secundário, como o próprio nome diz, é secundário a alguma causa e não somente à doença renal crônica (causa mais comum, porém não única), principalmente em estágio V em diálise. Outras causas menos frequentes são a deficiência de cálcio e vitamina D, uso de medicamentos como lítio ou reposição de fósforo. Komaba H, Kakuta T, Fukagawa M. Management of secondary hyperparathyroidism: how and why? Clin Exp Nephrol 2017;21:37-45.
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Sobre este conteúdo. As questões vêm do banco da ORL Lab, escritas no
formato da Prova de Título e referenciadas no Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da ABORL-CCF. Cada questão traz comentário em todas as alternativas e a
indicação do capítulo correspondente. Conheça o projeto.