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Rinossinusite crônica: além do “com pólipo e sem pólipo”

Rinologia · EPOS 2020 e atualização EPOS/EUFOREA 2023 · 10 de setembro de 2026 · 15 min de leitura

Durante duas décadas a rinossinusite crônica foi dividida em duas caixas: com pólipo e sem pólipo. Era simples, era visual e era insuficiente — dois pacientes com o mesmo pólipo podiam ter inflamações completamente diferentes e responder a coisas diferentes. O EPOS 2020 trocou as duas caixas por um mapa, e é esse mapa que a prova cobra agora.

Definido o conceito

Inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais com 12 semanas ou mais de sintomas, confirmada por endoscopia ou tomografia. Classifica-se primeiro em primária ou secundária, depois em localizada ou difusa, e só então pelo endótipo — tipo 2 ou não tipo 2. O pólipo deixou de ser o eixo da classificação e virou apenas um dos achados.

A definição que fecha o diagnóstico

O critério do EPOS 2020 tem três partes, e a terceira é a que mais se esquece na hora da prova.

Primeiro, dois ou mais sintomas, por pelo menos 12 semanas ininterruptas, sendo que um deles obrigatoriamente precisa ser obstrução nasal ou rinorreia (anterior ou posterior). Os outros dois candidatos são dor ou pressão facial e redução ou perda do olfato.

Ou seja: um paciente com 12 semanas de dor facial e anosmia, sem obstrução e sem rinorreia, não preenche o critério de sintomas. Essa é a pegadinha clássica.

Segundo, a duração: 12 semanas. Abaixo disso é aguda ou subaguda, e a conduta é outra.

Terceiro — e aqui muita gente para cedo — é preciso confirmação objetiva: sinais à endoscopia (pólipos, secreção mucopurulenta saindo do meato médio, ou edema e obstrução mucosa no meato médio) ou alterações tomográficas na complexidade ostiomeatal e nos seios.

A metáfora que ajuda

Sintoma é depoimento; endoscopia e tomografia são prova material. Nenhum tribunal condena só com depoimento, e nenhum diagnóstico de rinossinusite crônica se fecha só com a queixa do paciente — porque obstrução, rinorreia e dor facial são compartilhadas por rinite alérgica, rinite não alérgica, desvio septal, cefaleias primárias e doença do refluxo. Sem a testemunha objetiva, o que você tem é uma síndrome nasal, não uma rinossinusite crônica.

Fenótipo e endótipo: a distinção que reorganizou tudo

Vale fixar os dois termos, porque a prova usa os dois e eles não são sinônimos.

Fenótipo é o que se observa: tem pólipo ou não tem, é unilateral ou bilateral, tem asma junto ou não. É descritivo. Você vê pela endoscopia e pela tomografia.

Endótipo é o mecanismo biológico que produz aquele fenótipo: quais citocinas dominam, quais células infiltram o tecido, qual via inflamatória está ligada. É invisível ao olho e é o que determina a resposta ao tratamento.

Uma analogia útil

Fenótipo é a febre; endótipo é a infecção que a causou. Dois pacientes com 39 °C parecem iguais no corredor do pronto-socorro, mas um tem pneumonia bacteriana e o outro tem dengue — e tratar os dois igual é errar um deles. Foi exatamente isso que a medicina fez com a polipose por vinte anos: operou todo mundo do mesmo jeito, porque só enxergava o pólipo.

A consequência prática é direta. Todo biológico disponível hoje mira um endótipo, não um fenótipo. É por isso que a classificação mudou: sem endotipar, não há como escolher o alvo.

O mapa do EPOS 2020

A árvore tem três níveis de decisão, sempre nesta ordem: primária ou secundária, localizada ou difusa, tipo 2 ou não tipo 2.

RSC ≥ 12 semanas PRIMÁRIA sem causa de base SECUNDÁRIA tem causa de base Localizada unilateral Difusa bilateral Localizada unilateral Difusa bilateral Tipo 2 · RSFA rinossinusite fúngica alérgica Não tipo 2 · sinusite isolada de um seio, sem causa secundária Tipo 2 · RSCe, DREA, CCAD eosinofílica, exacerbada por AINE e atópica do compartimento central Não tipo 2 · RSC não eosinofílica neutrofílica ou paucicelular Patologia local odontogênica, bola fúngica, tumor Mecânica discinesia ciliar primária, fibrose cística Inflamatória GPA (Wegener), GEPA (Churg-Strauss) Imunidade imunodeficiências, imunossupressão
Classificação da rinossinusite crônica — EPOS 2020. A pergunta que abre a árvore não é “tem pólipo?”, e sim “existe uma doença de base explicando isso?”. Só depois de excluir a causa secundária é que se discute endótipo. RSFA: rinossinusite fúngica alérgica. RSCe: rinossinusite crônica eosinofílica. DREA: doença respiratória exacerbada por AINE. CCAD: doença atópica do compartimento central. GPA: granulomatose com poliangiite. GEPA: granulomatose eosinofílica com poliangiite.
O erro que a árvore evita

Chamar de “rinossinusite crônica refratária” aquilo que na verdade é rinossinusite secundária nunca investigada. O paciente que opera três vezes e não melhora pode não ter uma doença agressiva — pode ter uma bola fúngica, um dente com lesão periapical, uma granulomatose ou uma imunodeficiência comum variável que ninguém procurou. Antes de escalonar a inflamação, exclua a causa.

Os dois endótipos

Endotipar, na prática clínica de hoje, é responder a uma pergunta binária: essa inflamação é tipo 2 ou não é? A divisão é grosseira e a literatura já descreve mistos, mas é a divisão que muda a conduta, porque é para o tipo 2 que existem drogas.

Tipo 2

O epitélio lesado libera as alarminas — TSLP, IL-25 e IL-33 —, que ativam linfócitos Th2 e células linfoides inatas do grupo 2 (ILC2). Elas produzem o trio efetor:

CitocinaO que ela fazQuem bloqueia
IL-5Recruta e mantém eosinófilos no tecido e no sangueMepolizumabe, reslizumabe, depemokimabe; benralizumabe no receptor
IL-4Diferenciação Th2 e troca de classe para IgEDupilumabe (via IL-4Rα)
IL-13Hiperprodução de muco, remodelamento, elevação do FeNODupilumabe (via IL-4Rα)
IgESensibiliza mastócitos e basófilosOmalizumabe
TSLPAlarmina a montante de toda a cascataTezepelumabe

Essa tabela é o mapa dos biológicos. Cada anticorpo monoclonal corta uma seta dessa cascata, e quanto mais a montante o corte, mais amplo o efeito — razão pela qual o tezepelumabe, que bloqueia a alarmina, funciona também em quem tem eosinófilo baixo.

Não tipo 2

Predomínio neutrofílico, com IL-17, IL-8 e interferon-gama, ou padrão paucicelular com pouca inflamação evidente. Costuma cursar sem pólipo, com menos anosmia, e responde mal ao corticoide — que é justamente uma droga de inflamação tipo 2. É o grupo órfão de tratamento-alvo.

Um dado de geografia que a prova gosta

A proporção entre os dois endótipos varia com a população. Em coortes ocidentais, a grande maioria das poliposes é tipo 2; no Leste Asiático, a fatia de polipose neutrofílica, não eosinofílica, é substancialmente maior. Ou seja: “polipose é doença eosinofílica” é uma frase verdadeira no hemisfério em que a maioria dos estudos foi feita, e não uma lei universal.

Os fenótipos que você precisa reconhecer

RSC eosinofílica (RSCe)

Polipose bilateral difusa, anosmia proeminente, forte associação com asma. A definição histológica que se consolidou é ≥ 10 eosinófilos por campo de grande aumento, média de pelo menos três campos. Dois cuidados invalidam a biópsia se ignorados: não colher com o paciente há 30 dias ou mais em corticoide, e usar pinça fenestrada para não esmagar a amostra.

CCAD — doença atópica do compartimento central

Fenótipo mais recente e cada vez mais cobrado. É tipo 2, fortemente ligado à alergia a inalantes, e tem uma assinatura anatômica: alteração polipoide central — concha média, concha superior e septo posterossuperior — com a concha inferior tipicamente poupada. Na tomografia, o achado é espessamento de partes moles no centro do nariz com relativa limpeza da periferia dos seios; quando há velamento sinusal, ele é obstrutivo, secundário ao volume central.

Reconhecer o CCAD muda a conduta porque o paciente costuma responder muito bem a corticoide tópico bem posicionado e ao controle da alergia — antes de qualquer discussão de cirurgia extensa.

RSFA — rinossinusite fúngica alérgica

Primária, mas localizada e unilateral na árvore do EPOS. Adulto jovem, atópico, pólipos, mucina alérgica espessa com hifas e cristais de Charcot-Leyden, IgE elevada, e uma tomografia característica com áreas de hiperatenuação e expansão ou erosão de paredes ósseas por pressão. É doença de manejo cirúrgico com controle inflamatório prolongado no pós-operatório.

DREA — doença respiratória exacerbada por AINE

A tríade de asma, polipose e hipersensibilidade a inibidores da COX-1. É o fenótipo de pior prognóstico da polipose, com 37% de cirurgia de revisão em cinco anos. Tem um texto inteiro aqui na ORL Lab — vale ler em seguida a este.

RSC não eosinofílica

Em geral sem pólipo, obstrução e rinorreia purulenta mais proeminentes que a anosmia, e resposta pobre ao corticoide. É onde mais se discute o papel da disfunção mucociliar, do biofilme e do tratamento prolongado com macrolídeo em dose baixa.

Endoscopia nasal mostrando pólipo de superfície lisa e translúcida emergindo do meato médio
Pólipo nasal à endoscopia. Massa de superfície lisa, translúcida e acinzentada, emergindo do meato médio — pálida e avascular, ao contrário da mucosa rósea e vascularizada da concha ao lado. É esse contraste de cor e de vascularização que separa o pólipo de uma concha média hipertrofiada.

A sequência diagnóstica

A ordem abaixo economiza consulta e é a que os guidelines sustentam.

  1. Anamnese dirigida. Duração exata dos sintomas, qual sintoma domina, uso e resposta a corticoide prévio, número de cursos de corticoide oral no último ano, cirurgias prévias, asma, alergia, e a pergunta que muda o rumo: já teve reação a AINE ou a bebida alcoólica piora o quadro?
  2. SNOT-22. Dimensiona o impacto na qualidade de vida numa escala de 0 a 110 e é o instrumento que reaparece depois, como critério de cirurgia e de resposta a biológico. Calcule aqui.
  3. Nasofibroscopia. É o que transforma queixa em diagnóstico. Registre o grau do pólipo, de 0 a 4, e o escore de Lund-Kennedy, de 0 a 12 bilateral.
  4. Teste psicofísico do olfato. Não é preciosismo: o paciente subestima a própria perda, e a perda do olfato é um dos cinco critérios para indicar biológico. No Brasil há três testes validados — UPSIT, teste de Connecticut e Noar Multiscent 20.
  5. Tomografia sem contraste, fora de exacerbação, estadiada pelo Lund-Mackay. Ela existe para planejar cirurgia e para procurar causa secundária, não para fechar o diagnóstico sozinha — 30% a 40% de pessoas assintomáticas têm alguma alteração mucosa incidental.
  6. Marcadores de tipo 2, quando a discussão for de biológico. Eosinófilos séricos, IgE total e, se houver material, contagem de eosinófilos no tecido.
Quando parar e procurar causa secundária

Unilateralidade é sinal de alarme até prova em contrário. Quadro estritamente unilateral, epistaxe, dor desproporcional, cacosmia intensa, alteração visual ou proptose, anestesia de território do trigêmeo, qualquer neuropatia craniana, ou crostas e destruição septal. Nesses casos a pergunta deixa de ser “qual endótipo” e passa a ser tumor, doença fúngica invasiva, vasculite ou causa odontogênica — e a investigação muda, com imagem dedicada, biópsia e sorologias.

Controle: o conceito que organiza a conduta

O EPOS 2020 abandonou a ideia de “gravidade” fixa e adotou controle, avaliado no último mês. É o mesmo raciocínio da asma, e é o que dá o gatilho para escalonar tratamento.

Avaliam-se cinco domínios — obstrução nasal, rinorreia ou gotejamento posterior, dor ou pressão facial, alteração do olfato, e distúrbio do sono ou fadiga —, mais a presença de mucosa doente à endoscopia e a necessidade de medicação sistêmica de resgate.

SituaçãoComo se defineO que fazer
ControladaNenhum domínio alteradoManter o tratamento de base
Parcialmente controladaUm ou dois domínios alteradosRevisar adesão e técnica antes de escalonar
Não controladaTrês ou mais domínios alteradosEscalonar — e reavaliar o diagnóstico
Antes de escalonar, cheque três coisas banais

Boa parte do “não respondeu ao tópico” é, na verdade, tópico mal usado. Confirme se o paciente está fazendo irrigação salina antes do corticoide, se está aplicando com a técnica correta — jato direcionado para lateral, para longe do septo, sem fungar forte — e há quanto tempo usa de fato. Corticoide tópico nasal precisa de semanas para efeito pleno, e o paciente que usa “quando incomoda” está tomando placebo caro.

O tratamento, degrau por degrau

A lógica é sempre a mesma: ninguém sobe um degrau sem ter cumprido o anterior de verdade. E, ao contrário do que a sequência sugere, a cirurgia não encerra o tratamento clínico — ela existe em boa parte para viabilizá-lo.

1 Base para todos · irrigação salina + corticoide tópico nasal Irrigação de alto volume antes do tópico. Mínimo de 8 a 12 semanas de uso contínuo e correto. Tratar em paralelo asma, rinite alérgica e tabagismo — via aérea é uma só. 2 Reavaliar o controle Controlada: manter. Parcialmente controlada: revisar adesão e técnica antes de escalonar. Não controlada (3 ou mais domínios): sobe o degrau — e reconfere o diagnóstico. NÃO CONTROLADA 3 Corticoide sistêmico em curso curto · 1 a 3 semanas Antibiótico só em agudização documentada. Macrolídeo prolongado é opção no não tipo 2. Aqui é o momento de excluir causa secundária, se ainda não foi feito. 4 Cirurgia endoscópica funcional Após falha do tópico por 8 semanas e do sistêmico por 1 a 3 semanas, com SNOT-22 pós-tratamento ≥ 20 e sintomas ao menos moderados. 5 Pós-operatório: o tópico continua — e agora chega onde precisa A cirurgia abre a cavidade para que o corticoide alcance a mucosa doente. Interromper o tópico depois de operar é a causa mais comum de recidiva precoce. SEGUE NÃO CONTROLADA 6 Biológico · 3 dos 5 critérios, em quem já operou Inflamação tipo 2 · corticoide sistêmico de repetição · impacto importante na qualidade de vida perda significativa do olfato · asma como comorbidade. 7 Reavaliar em 6 meses, depois em 1 ano, depois anualmente Nenhum critério atendido: trocar ou suspender. Um a três: decidir junto com o paciente. Quatro a cinco: resposta boa a excelente, mantém.
Tratamento escalonado da rinossinusite crônica. Prazos e critérios conforme EPOS 2020 e a atualização EPOS/EUFOREA 2023 para biológicos. O degrau 5 é o mais negligenciado na prática: a cirurgia prepara o terreno para o tratamento clínico, não o substitui.

O que cada degrau realmente entrega

Irrigação salina é barata, tem boa evidência e quase ninguém explica direito. Alto volume e baixa pressão superam o spray, e a ordem importa: irriga primeiro, aplica o corticoide depois, no nariz já limpo.

Corticoide tópico nasal é o pilar. Nas doenças tipo 2 é o que muda a história natural. Em cavidade já operada, a irrigação com corticoide em alto volume alcança regiões que o spray não atinge — uso consagrado na prática, ainda que fora de bula.

Corticoide sistêmico funciona bem e por pouco tempo. É ferramenta de resgate e de teste diagnóstico, não de manutenção: o paciente que precisa de dois ou mais cursos por ano já está, por definição, mal controlado — e isso é um dos critérios para biológico.

Antibiótico tem papel restrito. Serve para agudização bacteriana documentada. O uso prolongado de macrolídeo em dose baixa, pelo efeito imunomodulador, tem seu melhor racional no não tipo 2, com IgE normal e sem eosinofilia.

Cirurgia tem dois objetivos, e vale enunciá-los separados porque a prova cobra: remover a obstrução e abrir os seios para que o tratamento tópico alcance a mucosa.

Biológicos: quem indica, quando avaliar

O EPOS 2020 estabeleceu que o candidato é o paciente não controlado apesar de tratamento clínico e cirúrgico apropriados, que preencha 3 dos 5 critérios abaixo. A atualização EPOS/EUFOREA de 2023 manteve a exigência de cirurgia prévia e ajustou um número.

CritérioComo se define
Inflamação tipo 2Eosinófilos teciduais ≥ 10 por campo, eosinófilos séricos ≥ 150/µL ou IgE total ≥ 100 UI/mL
Necessidade de corticoide sistêmicoDois ou mais cursos no último ano, ou uso contínuo
Impacto na qualidade de vidaSNOT-22 ≥ 40
Perda do olfatoAnosmia em teste psicofísico
Asma como comorbidadeAsma que necessita de corticoide inalatório contínuo

Repare no ponto que mais cai: inflamação tipo 2 não é pré-requisito obrigatório. O painel discutiu torná-la mandatória e decidiu não fazê-lo, porque ainda não há definição precisa de tipo 2 na RSC nem dados suficientes sobre inflamação mista. Ela é um dos cinco, não a porta de entrada.

Os agentes

BiológicoAlvoEvidência na polipose
DupilumabeIL-4Rα — bloqueia IL-4 e IL-13SINUS-24 e SINUS-52. O mais estudado no cenário nasal
OmalizumabeIgEPOLYP 1 e POLYP 2
MepolizumabeIL-5SYNAPSE
TezepelumabeTSLP — a alarmina, mais a montanteWAYPOINT (2025). Aprovado nos EUA para polipose em 2025; disponibilidade varia por país
DepemokimabeIL-5, meia-vida ultralongaANCHOR-1 e ANCHOR-2 (2025). Duas aplicações por ano

Três pontos práticos que valem mais que a memorização dos ensaios. O efeito costuma aparecer por volta da quarta semana, mas varia de dias a meses. A melhora do olfato ocorre em torno de 60% dos casos e não se correlaciona com a redução do tamanho do pólipo — são desfechos independentes. E convém dosar eosinófilos no primeiro e no terceiro mês de tratamento, pela hipereosinofilia transitória associada ao bloqueio de IL-4Rα.

O que mudou e ainda não está em todo material

EPOS/EUFOREA 2023. O corte de eosinófilos séricos caiu de ≥ 250 para ≥ 150/µL, alinhando com a literatura de pneumologia. A avaliação de resposta saiu de 16 semanas para 6 meses, com reavaliação em 1 ano e depois anual. Os critérios de resposta foram simplificados para 0 critérios = sem resposta; 1 a 3 = resposta pobre a moderada; 4 a 5 = boa a excelente — mudança feita porque, no formato anterior, quem não tinha asma nunca conseguia atingir “resposta excelente”. E a menor necessidade de cirurgia entrou como critério de resposta ao lado da menor necessidade de corticoide sistêmico, já que ambos são tratamentos de resgate.

2025 trouxe duas novidades de peso. No WAYPOINT, o tezepelumabe reduziu a indicação de cirurgia para 0,5% contra 22,1% no placebo em 52 semanas, e o uso de corticoide sistêmico para 5,2% contra 18,3% — com efeito já a partir da quarta semana. Nos ANCHOR-1 e ANCHOR-2, o depemokimabe mostrou eficácia com apenas duas aplicações por ano, o que muda a conversa sobre adesão em tratamento crônico.

Se for guardar dez coisas

  1. Dois sintomas por 12 semanas, um deles obstrução ou rinorreia, mais endoscopia ou tomografia. Sem a confirmação objetiva, não fecha.
  2. A primeira pergunta da classificação é primária ou secundária — não é “tem pólipo?”.
  3. Fenótipo é o que se vê; endótipo é o mecanismo. Os biológicos miram endótipo.
  4. Tipo 2: alarminas TSLP, IL-25 e IL-33 acionando IL-4, IL-5 e IL-13. Não tipo 2: neutrofílico ou paucicelular, responde mal ao corticoide.
  5. RSC eosinofílica: ≥ 10 eosinófilos por campo. Biópsia sem corticoide há 30 dias e com pinça fenestrada.
  6. CCAD: alteração polipoide central com periferia limpa na tomografia, concha inferior poupada, forte ligação com alergia.
  7. Unilateralidade, epistaxe ou neuropatia craniana tiram o caso da via da rinossinusite crônica comum.
  8. Controle em três faixas: nenhum domínio, um a dois, três ou mais.
  9. Cirurgia após 8 semanas de tópico e 1 a 3 de sistêmico, com SNOT-22 ≥ 20 e sintomas ao menos moderados. Depois de operar, o tópico continua.
  10. Biológico: 3 de 5 critérios em quem já operou; eosinófilos ≥ 150/µL desde 2023; resposta avaliada em 6 meses, com pontuação de 0 a 5.

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Sobre este texto. Resumo produzido pela ORL Lab a partir do European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020 e da atualização EPOS/EUFOREA 2023 sobre indicação e avaliação de biológicos, complementados por ensaios de fase 3 publicados até 2025. As questões de rinologia correspondentes estão no banco da plataforma. Material de apoio ao estudo; não substitui a leitura das fontes nem orienta conduta clínica.
Continue por aqui: DREA: quando a polipose não responde a nada · Calculadora do SNOT-22 · Lund-Mackay · Lund-Kennedy · Todas as atualizações
Fontes principais Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, Hellings PW, Kern R, Reitsma S, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl S29):1-464.
Fokkens WJ, Viskens AS, Backer V, Conti D, de Corso E, Gevaert P, et al. EPOS/EUFOREA update on indication and evaluation of biologics in chronic rhinosinusitis with nasal polyps 2023. Rhinology. 2023;61(3):194-202.
Lipworth BJ, Han JK, Desrosiers M, Hopkins C, Lee SE, et al.; WAYPOINT Study Investigators. Tezepelumab in adults with severe chronic rhinosinusitis with nasal polyps. N Engl J Med. 2025;392(12):1178-88.
Efficacy and safety of twice per year depemokimab in chronic rhinosinusitis with nasal polyps (ANCHOR-1 and ANCHOR-2). The Lancet. 2025.